Eu juro que eu queria saber o que é essa tal de felicidade. Até hoje eu só tive alguns momentos felizes. Mas nunca me considerei uma pessoa feliz.
Todos dizem: "Mas você tem tudo", "Não te falta nada", "Você tem sorte de ter a vida que tem", "Você não tem o direito de reclamar, pois muita gente queria ter a sorte que você tem!"
E eu só consigo pensar: Realmente eu tenho uma condição de vida melhor que a de muita gente, mas isso não me traz felicidade. Não consigo ser feliz apenas porque tenho um pouco mais de privilégios que outros. Isso não é ser feliz. Quanto a sorte... Que sorte?
Até hoje não consegui conquistar nada na minha vida.
Sorte eu tenho nos dias que consigo sair da cama e resolver minhas coisas. Sorte eu tenho quando consigo ter um momento feliz, quando não tenho crises de choro ou quando olho pela janela do ônibus uma bela paisagem e me traz paz e vontade de sorrir, diferente da sensação que tenho de sumir do mundo, de evaporar.
E ouvir que eu não tenho o direito de ser infeliz, que não existe motivo pra eu estar triste, me dizer que eu tenho que lutar contra isso, sinceramente, não me ajuda em nada, muito pelo contrário. Isso só faz com que eu me sinta culpada, com peso na consciência e me afunde cada vez mais.
E vocês acham que isso não acaba comigo? Claro que sim.
Eu me culpo! Me culpo por tudo!
Me culpo por não ter conseguido sair da cama por uma semana inteira, me culpo porque minha irritação, tristeza e impaciência faz com que eu seja ríspida com as pessoas mesmo quando eu não quero, me culpo por beber demais as vezes, mas em alguns momentos só assim pra eu ter esse tal de momentos felizes. Me culpo por todo cara que me interesso fugir de mim. Porque óbvio que a culpa é minha. Eu sou uma inútil! Ninguém quer uma inútil ao seu lado. Me culpo por saber que em alguns momentos meus amigos precisam de mim, mas eu não tenho condições de ajudar nem com palavras, porque eu não sei nem como me ajudar. Me culpo por me ausentar e me afastar de todo mundo, me culpo porque ainda tenho uma boa condição, porque minha avó me permite Isso, mas não faço ideia do que vai ser do meu futuro e isso me apavora! Me culpo porque sei que minha mãe sofre ao me ver nesse estado e não poder me ajudar. Me culpo porque eu queria ser feliz, mas eu simplesmente não consigo.
Se eu não tivesse desperdiçado todas as oportunidades que tive na vida, eu poderia ser muita coisa nesse momento, não duvido da minha capacidade. Mas não... Eu joguei tudo fora, porque nunca tive forças, porque essa doença é mais forte que eu, ela me paralisa e me transformei num parasita.
E o grande problema, é que com o tempo, eu aprendi como fingir que estou bem de uma maneira exemplar. Aposto que muitas pessoas que acham que me conhecem, não irão me reconhecer nesse texto. Porque conheceram a mulher animada, feliz, brincalhona, boba, simpática. E eu realmente me forço a ser assim de vez em quando por um tempo, pra tentar lutar contra o que realmente sinto, porque queria ser mais forte do que essa doença horrível.
Mas após um tempo forçando a barra de que está tudo bem, sendo animada, positiva, demonstrando estar feliz, eu desmorono, eu desabo.
E talvez esse seja um outro lado meu também. Talvez eu realmente seja essa pessoa que muitos conhecem, que apenas está presa.
Essa é a sensação que você tem quando se tem depressão desde sua pré adolescência,
IMPOTÊNCIA!
IMPOTÊNCIA!

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